
domingo, 23 de novembro de 2008
Comum domingo

quinta-feira, 20 de novembro de 2008
A dança...
Cenas de morte da pessoa amada não me fazem muito bem, meus olhos não aguentam. Assim como cenas de grandes alegrias... como se compartilhasse da alegria do personagem... mesmo sabendo que tudo não passa de ficção.
Você sente aquele aperto subindo pelo peito, chegando na garganta e indo direto para os olhos... quem é mais sentimental que eu?, já cantava Los...
Voltando ao Patch, para conquistar a amada dele, pega o poema que ele mais gosta, do Pablo Neruda, e recita para ela, mas não completamente e sim por partes.
(Para quem não assistiu, cuidado: spoiler)
E a última parte do poema (abaixo) ele recita no funeral dela...
A Dança
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Desabafo
Poemas...
Não há mais flores, só pétalas
Nas árvores, só folhas
Verde-amareladas
Amarelo-esverdeadas
Assim,
Outonescas...
Começou o outono
O vento se torna mais ameno
O céu menos azul
Mais branco, mais nuvens
O mundo,
Dividindo-se em duas cores...
Outono...
Tão simples
Apenas outono.
E quem foi que viu o passarinho
Contente na janela
Avisando que ele logo passa?
*escrito com caneta preta em uma folha laranja enquanto meus olhos espiavam os "passarinhos das seis da tarde", que até hoje fazem barulho na árvore em frente à facul. Por onde será que ele anda?
sábado, 1 de novembro de 2008
Made Up Love Song #43 (Guillemots)

I love you through sparks and shining dragons, I do,
now there's poetry, in an empty coke can.
I love you through sparks and shining dragons, I do,
now there's majesty, in a burnt out caravan.
you got me off the paper round, just sprang out of the air,
the best things come from nowhere,
I love you, I don't think you care.
I love you through sparks and shining dragons, I do,
and the symmetry in your northern grin
I love you through sparks and shining dragons, I do,
I can see myself in the refill litter bin.
you got me off the sofa, just sprang out of the air, the best things come from nowhere, I can believe you care.
Yes, I believe you
...But I won't get me down, I'm just thankful to be facing the day 'Cause days don't get you far when you're gone...
Curiosidades:
- Foi com Guillemots que comecei a escutar música inglesa;
- Passei dias para conseguir pegar a letra de ouvido (não tinha na internet ainda) e depois tentar traduzi-la.
- Guillemots é uma banda Indie criada em novembro de 2004 na Inglaterra por Fyfe Dangerfield.
- A banda é composta pelo inglês Fyfe Dangerfield,pelo brasileiro MC Lord Magrão, pela canadense Aristazabal Hawkes e pelo escocês Greig Stewart (também conhecido por Rican Caol).
Vizinhos: cada um tem os seus

Por que será que aos finais de semana, os vizinhos se soltam?
Bem, onde moro é bem difícil se concentrar nos sábados e domingos, quanto mais tentar ter uma tarde tranqüila. Ao redor da minha casa, tem cada comédia...
Tudo começa no sábado de manhã cedo, sendo acordada por um som super-alto que vem de casa ao lado entrando pela janela do meu quarto. Bruno e Marrone ou qualquer outro cantor sertanejo assim, logo cedo, ninguém merece.
A gente levanta, agüenta, às vezes até solta um “tá um pouquinho alto esse som”, pra ver se alguém se toca e diminui um pouco, coisa que não demora tanto tempo assim... então a gente agüenta.
Antigamente, tinha o vizinho do lado direito que, por ser adventista, não gostava de música. O que era maravilhoso. Ele vendeu a casa e os novos vizinhos, que não são adventistas (uma pena) colocam mais alto ainda, suas músicas evangélicas. Nada contra as músicas evangélicas, mas acho que se deve haver uma certa noção de que os outros não precisam ser obrigados a ouvi-las. O mais engraçado é que meu pai tem uma criação de patos e galinhas no quintal de casa. E como todo galo, o nosso canta em certas horas do dia. Um belo dia, o tal do vizinho bateu à nossa porta para reclamar que o galo estava fazendo muito barulho e o estava incomodando. Não sei como acabou a história, mas sei que se ele reclamar novamente meu pai é capaz de comprar mais galos pra fazer barulho para ele.
Um pouco mais abaixo, outro vizinho transformou sua casa no “Recanto dos coroas”. É um bar um tanto quanto peculiar. É pequeno, com uma duas mesas de ferro, um rádio em cima de uma mesa e o mais legal de tudo: várias pilhas de discos. Toda noite ele coloca um ritmo diferente para tocar, do brega ao chique, de Raul Seixas à Madonna. Esse não chega a incomodar. Não lembro quando foi, mas um dia desses, ele resolveu fazer uma festinha e vários casais de coroas apareceram. Conversavam, bebiam e quando já passava de meia-noite estavam todos dançando agarradinhos ao som de música lenta.
Foi nesse mesmo bar que, uma certa noite, um dos meus vizinhos de frente de casa estava completamente bêbado e saiu correndo atrás de outro cara com um facão na mão. Ele gritava que ia matá-lo e tudo o mais. Foi preciso que uma multidão o segurasse, inclusive sua mulher. Passado o susto, ele sentou no chão e começou a chorar e cada um voltou a fazer o que estava fazendo.
No primeiro turno das eleições, acordei com o barulho da polícia gritando para um cara sair do carro e ficar com as mãos na cabeça, quase em frente à minha casa. Era um outro vizinho que estava meio, ou totalmente, bêbado e resolveu ficar fazendo giros de 360 graus na rua. A polícia que estava passando na hora, viu e, querendo mostrar serviço o mandou parar e sair do carro, com as mãos para cima e tudo o mais. A mulher dele apareceu correndo apenas de toalha e pedia por tudo que era mais sagrado que não fizessem nada com ele. Revistaram o carro, tiraram uma sacola com alguma coisa de lá de dentro que até hoje não descobri o que era. De repente, um dos candidatos a vereador apareceu e foi lá conversar com os policiais. Em cinco minutos o dito foi liberado numa boa e cada um foi para o seu quadrado.
Já a vizinha de frente de casa possui dois filhos que tem um grupo de pagode que até já foram premiados por cantarem música de outros pagodeiros. Pois esses filhos, que são extremamente violentos de bater não apenas na mãe, mas em suas mulheres e filhos, no domingo se juntam e passam o dia inteiro fazendo batucada pagodeira na beira da rua. É de enlouquecer qualquer cristão. E há um fato interessante: para fechar o domingo, a gente escuta uns gritos de uma mulher pela rua e como uma vizinha curiosa saí para ver, é a mãe dos ditos pagodeiros, aos berros com eles dizendo que vai mandá-los embora e tudo o mais. A polícia aparece, tudo se resolve e no domingo próximo lá estão eles novamente tocando as mesmas músicas.
Mas eu tive a idéia de falar sobre vizinhos porque hoje me aconteceu algo inédito. Estava tocando, mas não muito alto, umas músicas de forró escrachado daqueles que não se gosta nem de lembrar para não ficar na cabeça quando, de repente, escuto um: she’s got a ticket to ride. Cheguei a abrir a janela e ir ver se eu não estava escutando coisas. O meu vizinho do recanto dos coroas tinha colocado os garotos de Liverpool pra cantar um pouco.
O agradeci em pensamento.
