domingo, 12 de outubro de 2008

Um sábado diferente

Fui ao aeroclube ontem para fotografar uma festinha que foi preparada para as crianças do Lar Batista Janell Doyle. Brincadeiras, entrega de presentes para cada uma, lanche e um show de pára-quedismo.

Até aí tudo bem. Sempre achei que eu fosse forte para situações como essa. Ledo engano. Vi que até eu não me conheço.

As crianças eram maravilhosas. Claro que tinha as travessas, as calminhas, as introspectivas, as cuidadosas que tomavam conta de outras crianças. E eu ali, no meio delas, brincando, tirando foto. Até pulei na piscina de bolinhas, ajudei a andar de perna-de-pau, a fiz sentar para comer.

Mas, em meio a tudo isso, mantinha a minha mente ocupada com qualquer outra coisa que não fosse a condição daquelas crianças. Ali elas estavam felizes, afinal era uma festa para elas, mas no fundo, sabia que, se elas tivessem o poder de escolher não escolheriam estar ali.

Cada vez que esse pensamento me vinha a mente tentava pensar em outra coisa. Afastava-me, conversava, ia fotografar. Até que chegou a hora da entrega dos presentes. Comecei a ficar nervosa. Se alguma chorasse eu choraria junto.

No entanto, algo mais forte que o choro delas aconteceu: o agradecimento. Todas enfileiradas, os maiores atrás, os menores na frente e começaram a cantar uma musiquinha de agradecimento. Todas juntas. Comecei a ficar nervosa e logo as lágrimas me vieram aos olhos. Continuei resistindo, segurando.

E então elas deram as mãos e eu me levantei, me atraquei na Aline (amiga do trabalho com quem fui junto) e chorei. Chorei até não poder mais.

Chorei por saber que elas estavam ali pedindo silenciosamente para que alguém as levasse junto e lhe desse amor e carinho, chorei porque sei que nunca chegarei perto do sofrimento delas, que nunca poderei me colocar em seu lugar, pois tenho uma mãe sempre ao meu lado, chorei pelos menores que não entendem muito o porquê de estarem ali a procura de alguém, mas que sentem, e os maiores que tanto entendem o porquê de estarem ali quanto sentem duplamente a dor da rejeição pois sabem que ninguém nunca os escolherá por estarem crescidos.

Chorei porque às vezes reclamo da vida sendo que tenho tudo e eles sorriem por receberem o mínimo.

Saí dali com o coração apertado, a dor dentro do peito, mas com o sorriso de cada um na memória.

2 comentários:

Unknown disse...

Viu? Por isso, não consegui ir. Até pensei, me preparei, me aprontei, mas não consegui... Que bom que elas ficaram felizes...

Bruna Cruz disse...

Aaaaah, chorei só de ler. Por isso que eu digo que nçao vou ter filhos, mas sim adotar um monte de pimpolhos! Always have a full house. haha.
Que bom que elas ficaram felizes, repito o comentário. Dia das Crianças tem de ser cheio de sorrisos e felicidade mesmo. Well done, haha.
Bjos.