
Tenho um tio que, quando eu e meus primos ainda éramos criança, chegava com a gente e dizia: Vou cantar (isso mesmo, não é contar) para vocês uma música que conta a história dos mistérios da vida. Prestem atenção que só cantarei uma vez.
E começava:
Vinha no rio uma pedra boiando
Em cima da pedra três navegando.
Um era cego e nada enxergava
O outro era sem braço que o trem cortou
E o terceiro, era o mais esculachado
Pois estava nuzinho como Deus criou.
Foi então que o cego abriu o berreiro
Olhando pra água um tostão avistou
E ouvindo aquilo o que era aleijado
Passou a mão no fundo e o tostão apanhou.
E o que estava nu tendo o tostão tomado
Mais que ligeiro no bolso guardou.
Bem, meu tio cantava essa música apenas uma vez a cada visita nossa, ou seja, umas duas vezes por ano e quando ele estava de bom humor. Eu vivia pedindo para ele cantar para mim porque eu adorava a musiquinha e era doida para aprender. Então eu cresci e ele parou de cantar para mim e eu não consegui aprender a música inteira, apenas esse pequeno pedaço aí em cima.
E a nova geração de sobrinhos (no caso meus primos mais novos) não conhecem a música e quando ele cantou uma vez não se interessaram muito.
É a new generation...
Não sei se eu que cresci muito rápido ou eles é que não sabem aproveitar uma boa história.
2 comentários:
Não me recordo muito da minha infância... Lendo teu post, veio à mente algumas situações apenas: eu, feliz da vida porque havia tirado 10 em uma prova e um tio desdenhando... "Antes fosse 10 reais)... Nem sei se era real à época, mas atualizei a história, de qualquer modo... Acho que era só uma brincadeira, mas minha visão de menina guardou na memória como se fosse pouco caso...
Só quem cantava musiquinha (se minha memória não falha) era mamãe mesmo... eram várias músicas...
O rádio também era pródigo em histórias, mas não me recordo agora do nome do personagem... quando lembrar, volto aqui... Wilsa
Engraçado... lendo sobre o "10", lembrei de uma coisa que minha tia fazia que eu achava horrível: quando eu estava na terceira série, minha tia pegava o meu boletin e dos meus primos (filhos dela) que já estavam no ensino médio e ficava comparando as notas. O meu, claro, sempre era recheado, diferente do deles que tinham algumas notas baixas e lembro que só a deixei fazer aquilo uma vez porque achava injusto, pois eles estavam mais avançados do que eu...
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