segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Meu mundo em quadrinhos (parte 1 de várias)


Toca Don’t Panic do Coldplay enquanto escrevo. Estou sentada na cama com o note no colo. Olho ao meu redor e suspiro pensando no trabalho que terei para arrumar a bagunça que fiz, mas creio que valerá a pena. A bagunça que menciono são todas as minhas revistas em quadrinhos que tenho e que resolvi contar um pouco a história delas, não de cada uma, pois não terminaria o texto nunca, mas de como elas entraram em minha vida a passos lentos.

(Agora é The Shins que faz a vez no som)

Não me lembro quando comecei a ler quadrinhos, no entanto, conta minha mãe (e elas servem muito bem para lembrar essas histórias) que quando andava na rua comigo comprava um gibizinho da turma da Mônica para eu ficar quieta. Segundo ela, mesmo sem que eu soubesse ler, criava as histórias conforme via os desenhos. E foi então que meu amor por quadrinhos começou.

Fui crescendo e continuei a ler as revistas da turminha. Ganhava cinco por mês, uma de cada personagem, e demorava horas para ler pois sabia que se acabasse logo não teria outra até o mês seguinte. Um tempo depois comecei a ganhar, junto com as da turminha, as revistas do Tio Patinhas, do Zé Carioca e do Mickey. Confesso que não gostava de todas, mas as lia e relia quando não havia mais nenhuma outra para satisfazer meu desejo. Já era chato ser criança, sem poder comprar o que se gosta então...

Aos oito anos descobri uma relíquia que foi quase queimada. Um belo dia na casa de minha avó, remexendo nos armários velhos que toda casa de vó tem, encontrei uma caixa com algumas revistinhas. Nossa! Fiquei olhando-as durante um certo tempo por nunca ter visto nada daquele gênero antes. Eram revistinhas como: Contos da cripta, Drácula, Heróis da Tv (foi assim que conheci Thor e Capitão América) e aquele que me fez virar mais fã de HQ do que eu já era: Stan Lee e Steve Dikto apresentado ele, claro, o Homem-Aranha. (Podem dizer o que quiserem, para mim, herói de quadrinhos como ele não tem outro).

Tenho ainda bem guardada uma edição de 1968, minha maior relíquia. Daí para frente a doença só piorou. Não consegui ganhar essas novas revistas junto com as da Monica porque pai é pai e filha lendo essas “porcarias”, nem pensar. Então esperei e esperei e esperei. Até que meus 10 anos chegaram e aí a coisa começou a complicar. Guardava o dinheiro do lanche e comecei a aumentar minha pequena coleção. Um belo dia lançaram umas edições encardenadas, em preto e branco, contando toda a história do aracnídeo. Só sosseguei até conseguir os 12 volumes. Estão todos bem arrumados na minha estante.

Passei a comprar regularmente as HQs Spider Man e Amazing Stories, todos os meses até que um belo dia, chego na banca e descubro que resolveram mudar. A revista virou formato americano, mais cara, com desenho diferente e histórias diferentes também. Desisti. Não gostei daquela edição. Resolvi que não compraria mais revistinhas. Havia me decepcionado. Ainda bem que durou apenas até o momento em que descobri que existiam sebos e bancas de revenda de revistas que tinham ainda edições atrasadas das que eu comprava. Minha paixão voltou e minha meta era conseguir completar a coleção. (N.E. Já se passaram mais de 10 anos e ainda não consegui chegar lá).

Mas eu era focada apenas no Homem-Aranha. Não via outros personagens. Não conhecia outros roteiristas ou desenhistas. Talvez eu estivesse cega ou apenas ainda não era hora de conhecê-los. Os anos passaram e lia qualquer livro que caísse em minhas mãos junto com o homem-aranha e claro, turma da Monica.

E então Mafalda, Calvin, Snoopy e Garfield pularam das páginas de um livro...

(No próximo episódio: Como Quino, Bill Watterson, Schulz e Jim Davis podem mudar a vida de uma menina que não sabia muito de nada e um pouco de tudo.)

2 comentários:

M. de O. disse...

Tentei ler esses quadrinhos de super heróis, mas o fato de ter que colecionar não deixava. Um dia estava lendo um quadrinho, não sei se do batman, e no bojo da revista havia uma historinha com início, meio e fim. Bem underground. O protagonista não era um super herói, mas um punk futurista. Lembro que depois de uma luta alguem dizia: -- ele não é humano! -- ele não é humano! Isso era recorrente nas HQ'S?

Lalá disse...

Por isso que hoje compro apenas os especiais, principalmente os encadernados. Já sobre uma história curta dentro de uma HQ é bem normal. Geralmente eles fazem isso para divulgar alguma história que está por vir ou é um trabalho que o desenhista da vez produziu.
Algumas coisas descobri assim, com essas histórias de miolos. Mas a DC e a Marvel apelam muito e não fazem uma história completa deixando para a revista seguinte para vender mais.
Por isso deixei de comprar deles e descobri a Mythos e a Pixel, que são perfeitas e totalmente underground e gostosas de se ler, sem super-heróis e essas coisas.
Acho que estou crescendo rsrsrs