sábado, 6 de setembro de 2008

Infortúnios do destino


Sabe aqueles dias em que você quer fazer várias coisas, mas não pode devido aos infortúnios do destino?
Pois bem, este sábado foi assim.
O celular mal tocou o que me deixa agoniada, apreensiva (tenho minhas razões). Sei que não deveria, mas sou assim, fazer o quê??
Então espero.
Assim, puxei o livro mais próximo e li por duas horas seguidas, coisa que não fazia a algum tempo, tentando manter a mente ocupada. Cansada, fiquei andando pela casa, meio sem rumo wondering what the hell to do.
Fui para a rede e me entreguei ao silêncio, algo que não gosto muito. A janela escancarada mostrava um céu claro e brilhante, daqueles de doer os olhos se você olhar muito tempo. Fiquei a observar meu quarto e percebi que os CDs empoeirados em cima do rádio lembravam-me que precisavam urgentemente de uma limpeza. Fui atrás de um pano úmido e comecei a limpar um, depois o outro e o outro, foi quando ela me chamou atenção.
Olhava constantemente para mim enquanto eu praticava o processo de limpeza.
Há tempos ela não falava comigo ou seria eu que deixara de falar com ela?
Já não lembro mais. Em algum momento dessa vida perdemos contato.
Nossa!!! Lembro que éramos inseparáveis, ela sempre querendo saber de mim e de minhas histórias.
Mas o tempo foi passando e a faculdade e os estágios não nos permitia mais passar tanto tempo juntas.
Foi assim que nos separamos, nos esquecemos até hoje quando olhei para o lado e a vi.
Bateu uma saudade...
A peguei devagar, com todo o cuidado como se estivesse com uma preciosidade nas mãos. Bem, para mim ela sempre fora uma preciosidade. Afaguei-a delicadamente relembrando cada curva sua. O suor escorrendo nas costas por conta do calor.
E então, a abri e ela se mostrou inteira para mim sorridente.
“Há quanto tempo...” pensei.
Ela ainda segurava a folha de papel em branco que deixei com ela desde a última vez que nos vimos.
Fui apertando pausadamente cada dedo seu, cada pedaço de seu corpo sentindo um prazer já esquecido, ouvindo seus gemidos tentando me acostumar à sua voz novamente.
“Desculpa ter me esquecido de você”, falei a ela.
E no silêncio que me encontrava voltei a contar-lhe histórias me perdendo no tempo, me esquecendo do destino e seus infortúnios, me libertei de mim mesma.
Já era quase noite quando nos separamos. Prometi que voltaria logo, que não sumiria mais.
Apaguei a luz e saí do quarto deixando em cima da mesa minha linda ‘máquina de escrever’.

2 comentários:

Unknown disse...

Muito bonito este texto... Tem suspense, espera... e o que podemos chamar de clímax: o final inesperado... Acabei por esquecer minha máquina de escrever antiga... Mas tenho um carinho grande por ela, assim como também o meu primeiro mini-gravador. Guardo até hoje, com um adesivo de anjinho e meu nome tb em adesivo...
Mas agora não consigo me separar das branquinhas do meu notebook... espero que dure um bom tempo...

bjos

Lalá disse...

É... eu também não consigo mais largar as teclas do meu computador... tenho duas máquinas e amo as duas, elas sabem disso. Depois de postar o texto senti um medo repentino do que iriam pensar, mas lembrei que um dos motivos de mantê-lo é explorar essa minha veia de escritora... rsrsrs. Já o meu gravador, bem, já comecei com um digital que queimou um belo dia numa certa entrevista que nem gosto de lembrar...
Bjos...