quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Especial de Natal com Calvin e Haroldo

Eu gosto do Natal... mas confesso que gosto mais da parte anterior a ele como sair para comprar lembranças a amigos queridos, ligar pra desejar felicidades após a meia-noite (isso quando a tim deixa o que não foi o caso esse ano), no entanto, algumas horas antes da coisa toda acontecer me bate uma tristeza, uma melancolia que a vontade passa e tudo o que eu quero é o dia seguinte.
E como já é o dia seguinte e meu humor está de volta, compartilho algumas tiras de natal da dupla mais famosa das tirinhas.
E um Feliz Natal a todos... daqui alguns dias já será ano que vem...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Virundum em solidariedade a um amigo - parte 2

Essa foi terrível. Sou motivo de piada na família por conta disso até hoje.

Um belo dia estava eu no carro com uma tia e prima e começa a tocar no rádio "Palpite", da Vanessa Rangel, de acordo com o Terra, ou da Adriana Calcanhoto, de acordo com o lyrics, não me recordo agora.

Só sei que, no final,cantei um 'alpiste" que ficou marcado na história.

Virundum em solidariedade a um amigo - parte 1

Não acredito que vou entrar nessa, mas vamos lá.

Essa é especial para a época natalina, rs.

Quando eu era criança, chegava nessa época e eu botava pra cantar o tal do "Bate o sino pequenino" e nunca entendia porque todo mundo ria de mim.

Até que um belo dia alguém veio me explicar que no final se cantava "abençoe o Deus menino esse nosso lar" e não "abençoe Deus menino o bissu bissuá", como eu cantava.

Na época não existia o vaga-lume para ajudar nas buscas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

De trilhas e histórias

Gosto de filmes sem diálogos. Gosto de curtas feitos apenas com imagens e sons, não sei porque.

Adoro sons. Sou louca por trilhas sonoras, tanto que tenho várias. Adoro sons de instrumentos onde não é necessário o uso das palavras para se explicar o que está sendo tocado.

Adoro o modo como as coisas podem ser ditas sem se precisar dizer claramente, nesse caso, usando e abusando das imagens. Adoro aqueles closes e enquadramentos que são os clímax dos filmes.

Um dia pretendo fazer um filme. Um curta. E ele será assim, sem palavras, apenas sons e idéias. Já até existe a história, falta apenas a coragem e o tempo.

Uma vez escrevi um poema-história e é ele que vai ser filmado. É mais ou menos assim:
Uma mulher acorda com o barulho da água da torneira da pia pingando. Ela não suporta o barulho. Levanta para tentar fazê-lo parar. Consegue. Está de camisola, os pés descalços. Vai para a janela e acende um cigarro, pensativa. É quando acontecem os flashbacks. Ela olha para a porta e se vê entrando sorrindo. Já não está mais de camisola e sim de vestido...

Aí vai misturando o passado com as músicas ao fundo, os ambientes até chegar ao dia real em que se encontra na janela. É quando se entende o porquê ou quem sabe, não tem por que.

Falta encontrar o restante da trilha...

Quem sabe dê certo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Violência em dobro


Ao voltar para casa de ônibus uma noite dessas, ouvi relato de duas situações sobre violência.

A primeira foi um senhor que contou uma história sobre sua infância para o amigo que estava ao seu lado. Como estava naqueles ônibus alternativos, ou seja, minúsculos, não pude deixar de ouvir, ainda mais porque a lembrança tinha vindo à tona por conta do que eu segurava em minhas mãos.

Estava eu sentada lendo uma revistinha da Turma da Mônica, a nova versão em que eles viraram adolescentes, e sim, eu ainda gosto da turminha do bairro do limoeiro,
quando o senhor citado acima virou para mim e perguntou:

"É a Mônica e o Cebolinha?"
"É sim", respondi.
"Mas eles estão diferentes".
"É que eles cresceram".

Então ele virou para o amigo sentado ao seu lado e começou a contar o que aconteceu com ele quando era criança. “Eu adorava ler gibis da turma da mônica. Não tinha muitos, mas os poucos que eu tinha eu lia e relia. Mas eu não gostava de estudar muito e não passei na escola. Minha mãe, para me castigar, pegou todas as minhas revistinhas e botou fogo nelas. Eu fiquei com tanta raiva que desisti de estudar naquele dia e parei de ler revista em quadrinhos”.

Eu, como uma ávida leitora e colecionadora de quadrinhos, não acreditava no que ele havia acabado de contar. Se minha mãe tivesse feito comigo o que a dele fez não sei o que faria. Meus pais nunca me proibiram de ler e nem reclamavam por eu ler quadrinhos, sem falar que me esforcei muito para comprar tudo o que tenho hoje. Mas tanto a mãe deste cidadão quanto ele mesmo erraram em suas atitudes. Não é destruindo algo de grande estima para alguém que vai ajudá-lo a se 'endireitar'. Ela destruiu algo que, na verdade, poderia ajudá-lo a se esforçar mais um pouco e ele, por outro lado, se vingou da forma mais estúpida possível tirando de si algo que só faria bem: a leitura. Pelo visto não conseguiu aprender nada com as revistas.

O ônibus chegou no meu ponto. Desci para ir para casa. Atravessar o TVLândia Mall às 19h30, um presságio de chuva, o local escuro, vários marmanjos trabalhando e nenhuma alma viva para descer o caminho comigo. Respirei fundo e apressei o passo sem pensar em nada, sem olhar para o lado e sem parecer com medo. Porque eu morro de medo de lugares escuros, molhados e estranhos. Logo saí sã e salva daquele furdunço empoeirado, a rinite coçando na ponta do nariz. Luz, que maravilha! Passei da ponte e respirei aliviada, mas ainda faltava um bom pedaço de estrada para chegar quando vi uma moça que às vezes lancha lá em casa (meu pai tem uma lanchonete). Íamos para o mesmo caminho e meio que “peguei” carona com ela.

Conversa vai, conversa vem, passamos em frente ao Parque do Idoso e vimos três curumins que não beiravam os 7 anos, correndo e pulando a cerca para sair do Parque, em vez de usarem o portão. Vendo aquilo, virou para mim e disse:

"Se fosse meu filho levaria uma boa surra".

Fiquei na minha, eu não sou adepta de surras, tapas, socos ou qualquer outro tipo de castigo em que o ser humano, no caso a criança, tenha que sofrer humilhações e espancamentos. Há outros tipos de mais eficaz de castigos e demonstrações de respeito.

Ante ao meu silêncio, ela continuou:

"Meu filho tem cinco anos, mas apanha como gente grande se fizer mal-criação. Fica de castigo de joelho em cima do milho e do arroz. Assim como minha mãe fazia comigo e se não se ajeitar vai levar surra de galho de goiabeira".

Bem, eu não sabia o que dizer. Tudo o que eu pensava era: tá maluca de bater numa criança porque foi desobediente? Ensina a te obedecer, mas não batendo.Cresci vendo minha avó batendo em meus primos com chinelo, galho de goiabeira, mangueira de borracha e nenhum deles se tornou uma criança mais "quieta". Na verdade, a maioria hoje bate em seus próprios filhos na errônea tentativa de educá-los, como se não lembrassem que quando criança passaram pelo mesmo. E olha que todos tiveram uma ótima educação escolar, caso a desculpa seja que nossos avós não tinham educação e outras coisas mais. Virei para ela e disse:

"Engraçado, minha mãe nunca precisou me bater. Ela dizia e estava dito. Acabou-se a história. Eu acho errado bater em criança porque, na verdade, ela não tem culpa do que faz. Os pais devem ensinar o que é certo e errado para que sigam e se não seguirem, castiga, tira o video-game, não deixa andar de bicicleta, mas bater eu acho muito ruim porque eles não têm mecanismos de defesa, são pequenos".
Ela olhou pra mim calada e falou:

"É, tu é bem calminha mesmo."

Espero ao menos que ela pense um pouco em casa.E foi o fim. Cada um para o seu lado.
Enquanto subia a rua de casa ia pensando: sou calma sim, não chamo palavrão, não crio confusões, não fumo, não bebo, não falo alto. Mas respeito pai, mãe e os mais velhos, já fui rueira, já briguei na rua, já corri soltando papagaio, quebrei a boca andando de skate, acabei com joelho andando de patins, fugi da escola no último dia de aula e quase fui pega, comecei a namorar muito cedo, já experimentei cerveja e não gostei, já provei caipirinha e também não gostei, já me ofereceram cigarro e maconha e eu disse 'não, muito obrigada', sem falar que odeio e sou alérgica à fumaça de cigarros, tenho sim meus dias de fúria, falo um F*ck quando é necessário, leio muito, perdôo, peço desculpas e amo.

Acabou-se a história.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Passando o tempo sem rimas

Nas incongruências do tempo
Espaço sideral liberto
Lembranças vagam
Misturadas numa
Mente viajante.
Astronauta - não de mármore
Viajante intergaláctico
Que longe está
E pensa:
Não me esqueças.
E suspira
E sussurra...
Que saudade!
Que saudade"
Que saudade!

domingo, 23 de novembro de 2008

Comum domingo


O dia começou quente hoje, me acordando cedo... mas também choveu em algum momento do dia. Rapidamente. Meia hora... maybe more. Não teve barulhos indigestos vindo de paredes distantes... como todos os discos de lambada que tocou no sábado... alívio... passou um gato malhado no muro... onde está a Preta (minha gata)? Dormindo... outro alívio... cuidado com os cachorros... latidos desesperados... ele, o gato, fugiu pelo mesmo caminho que veio... sumiu nos quintais alheios... ele volta uma outra hora... ele adora a preta. A programação televisiva aos domingos não me agrada muito... mesmo a programação à cabo... refúgio na internet por algumas horas... fome... até que a comida estava boa... faltou sal no macarrão... tédio... na falta do que fazer a solução encontrada foi lavar meu grande companheiro all star quadriculado... estava na hora... mas não varri o quarto... talvez mais tarde... também não preparei o bolinho de trigo... banana amassada com leite... café com pão... me perdi no tempo assistindo House na rede com minha irmã... voltei a mim com o barulho do celular... atende... alô... a fast conversation... desliga... escureceu... está na hora de vestir o uniforme e virar atendente-garçonete ou vice-e-versa... odeio trabalhar no domingo... enquanto isso... escuto Glen Hansard e Marketa Irglova... Falling slowly sing your melody I'll sing along ... escrevo palavras nonsense apenas para passar o tempo que me resta... tocaram a campainha mais cedo que os outros dias... coitado dos meus pés que me agüentam.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A dança...

Gosto muito do Patch Adams - O amor é contagioso, apesar de saber que é uma adaptação aflorada sobre o verdadeiro Patch. Mas Robin Williams está perfeito no filme e toda vez em que assisto eu choro. Assim como no filme Meu primeiro amor ou no desenho Rei Leão...
Cenas de morte da pessoa amada não me fazem muito bem, meus olhos não aguentam. Assim como cenas de grandes alegrias... como se compartilhasse da alegria do personagem... mesmo sabendo que tudo não passa de ficção.
Você sente aquele aperto subindo pelo peito, chegando na garganta e indo direto para os olhos... quem é mais sentimental que eu?, já cantava Los...
Voltando ao Patch, para conquistar a amada dele, pega o poema que ele mais gosta, do Pablo Neruda, e recita para ela, mas não completamente e sim por partes.
(Para quem não assistiu, cuidado: spoiler)
E a última parte do poema (abaixo) ele recita no funeral dela...

A Dança

Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Desabafo


Olhou para o céu
Nublado
Discou o número
ocupado
Fitou a tela
Em branco
Sentiu um vazio
no ato
Sofreu um tanto
o impacto
Da mudança das palavras...

...e decidiu que não queria mais escrever.

- amanhã é outro dia e talvez passe a raiva

Poemas...

Começou o outono
Não há mais flores, só pétalas
Nas árvores, só folhas
Verde-amareladas
Amarelo-esverdeadas
Assim,
Outonescas...

Começou o outono
O vento se torna mais ameno
O céu menos azul
Mais branco, mais nuvens
O mundo,
Dividindo-se em duas cores...

Outono...
Tão simples
Apenas outono.
E quem foi que viu o passarinho
Contente na janela
Avisando que ele logo passa?

*escrito com caneta preta em uma folha laranja enquanto meus olhos espiavam os "passarinhos das seis da tarde", que até hoje fazem barulho na árvore em frente à facul. Por onde será que ele anda?

sábado, 1 de novembro de 2008

Made Up Love Song #43 (Guillemots)



I love you through sparks and shining dragons, I do,
now there's poetry, in an empty coke can.
I love you through sparks and shining dragons, I do,
now there's majesty, in a burnt out caravan.

you got me off the paper round, just sprang out of the air,
the best things come from nowhere,
I love you, I don't think you care.

I love you through sparks and shining dragons, I do,
and the symmetry in your northern grin
I love you through sparks and shining dragons, I do,
I can see myself in the refill litter bin.

you got me off the sofa, just sprang out of the air, the best things come from nowhere, I can believe you care.

Yes, I believe you


...But I won't get me down, I'm just thankful to be facing the day 'Cause days don't get you far when you're gone...

Curiosidades:
- Foi com Guillemots que comecei a escutar música inglesa;
- Passei dias para conseguir pegar a letra de ouvido (não tinha na internet ainda) e depois tentar traduzi-la.
- Guillemots é uma banda Indie criada em novembro de 2004 na Inglaterra por Fyfe Dangerfield.
- A banda é composta pelo inglês Fyfe Dangerfield,pelo brasileiro MC Lord Magrão, pela canadense Aristazabal Hawkes e pelo escocês Greig Stewart (também conhecido por Rican Caol).

Vizinhos: cada um tem os seus


Por que será que aos finais de semana, os vizinhos se soltam?

Bem, onde moro é bem difícil se concentrar nos sábados e domingos, quanto mais tentar ter uma tarde tranqüila. Ao redor da minha casa, tem cada comédia...

Tudo começa no sábado de manhã cedo, sendo acordada por um som super-alto que vem de casa ao lado entrando pela janela do meu quarto. Bruno e Marrone ou qualquer outro cantor sertanejo assim, logo cedo, ninguém merece.

A gente levanta, agüenta, às vezes até solta um “tá um pouquinho alto esse som”, pra ver se alguém se toca e diminui um pouco, coisa que não demora tanto tempo assim... então a gente agüenta.

Antigamente, tinha o vizinho do lado direito que, por ser adventista, não gostava de música. O que era maravilhoso. Ele vendeu a casa e os novos vizinhos, que não são adventistas (uma pena) colocam mais alto ainda, suas músicas evangélicas. Nada contra as músicas evangélicas, mas acho que se deve haver uma certa noção de que os outros não precisam ser obrigados a ouvi-las. O mais engraçado é que meu pai tem uma criação de patos e galinhas no quintal de casa. E como todo galo, o nosso canta em certas horas do dia. Um belo dia, o tal do vizinho bateu à nossa porta para reclamar que o galo estava fazendo muito barulho e o estava incomodando. Não sei como acabou a história, mas sei que se ele reclamar novamente meu pai é capaz de comprar mais galos pra fazer barulho para ele.

Um pouco mais abaixo, outro vizinho transformou sua casa no “Recanto dos coroas”. É um bar um tanto quanto peculiar. É pequeno, com uma duas mesas de ferro, um rádio em cima de uma mesa e o mais legal de tudo: várias pilhas de discos. Toda noite ele coloca um ritmo diferente para tocar, do brega ao chique, de Raul Seixas à Madonna. Esse não chega a incomodar. Não lembro quando foi, mas um dia desses, ele resolveu fazer uma festinha e vários casais de coroas apareceram. Conversavam, bebiam e quando já passava de meia-noite estavam todos dançando agarradinhos ao som de música lenta.

Foi nesse mesmo bar que, uma certa noite, um dos meus vizinhos de frente de casa estava completamente bêbado e saiu correndo atrás de outro cara com um facão na mão. Ele gritava que ia matá-lo e tudo o mais. Foi preciso que uma multidão o segurasse, inclusive sua mulher. Passado o susto, ele sentou no chão e começou a chorar e cada um voltou a fazer o que estava fazendo.

No primeiro turno das eleições, acordei com o barulho da polícia gritando para um cara sair do carro e ficar com as mãos na cabeça, quase em frente à minha casa. Era um outro vizinho que estava meio, ou totalmente, bêbado e resolveu ficar fazendo giros de 360 graus na rua. A polícia que estava passando na hora, viu e, querendo mostrar serviço o mandou parar e sair do carro, com as mãos para cima e tudo o mais. A mulher dele apareceu correndo apenas de toalha e pedia por tudo que era mais sagrado que não fizessem nada com ele. Revistaram o carro, tiraram uma sacola com alguma coisa de lá de dentro que até hoje não descobri o que era. De repente, um dos candidatos a vereador apareceu e foi lá conversar com os policiais. Em cinco minutos o dito foi liberado numa boa e cada um foi para o seu quadrado.

Já a vizinha de frente de casa possui dois filhos que tem um grupo de pagode que até já foram premiados por cantarem música de outros pagodeiros. Pois esses filhos, que são extremamente violentos de bater não apenas na mãe, mas em suas mulheres e filhos, no domingo se juntam e passam o dia inteiro fazendo batucada pagodeira na beira da rua. É de enlouquecer qualquer cristão. E há um fato interessante: para fechar o domingo, a gente escuta uns gritos de uma mulher pela rua e como uma vizinha curiosa saí para ver, é a mãe dos ditos pagodeiros, aos berros com eles dizendo que vai mandá-los embora e tudo o mais. A polícia aparece, tudo se resolve e no domingo próximo lá estão eles novamente tocando as mesmas músicas.

Mas eu tive a idéia de falar sobre vizinhos porque hoje me aconteceu algo inédito. Estava tocando, mas não muito alto, umas músicas de forró escrachado daqueles que não se gosta nem de lembrar para não ficar na cabeça quando, de repente, escuto um: she’s got a ticket to ride. Cheguei a abrir a janela e ir ver se eu não estava escutando coisas. O meu vizinho do recanto dos coroas tinha colocado os garotos de Liverpool pra cantar um pouco.

O agradeci em pensamento.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Saudades


Hoje senti saudades de Maués.
Senti saudades da minha avó e meus tios que lá moram.
Senti saudades do cheiro do café que vinha da cozinha, logo cedo.
Saudades de andar pela plantação de jambu e ir comendo as florzinhas fazendo a língua ficar dormente.
Senti saudades de estar deitada na rede na varanda de casa, a brisa fria indo e vindo, o céu bastante estrelado e visível e meu tio cantarolando suas músicas com o violão na mão e a voz rouca.

"Casinha de palha, onde o caboclo mora.
Tem sempre comida, servida na hora.
Casinha feita de palha, ao qual o homem quer bem.
Tem sempre paz e amor que em muita casa não tem"

Maués é o meu paraíso particular... espero poder voltar logo.

Lembrando da Infância


Tenho um tio que, quando eu e meus primos ainda éramos criança, chegava com a gente e dizia: Vou cantar (isso mesmo, não é contar) para vocês uma música que conta a história dos mistérios da vida. Prestem atenção que só cantarei uma vez.
E começava:

Vinha no rio uma pedra boiando
Em cima da pedra três navegando.
Um era cego e nada enxergava
O outro era sem braço que o trem cortou
E o terceiro, era o mais esculachado
Pois estava nuzinho como Deus criou.
Foi então que o cego abriu o berreiro
Olhando pra água um tostão avistou
E ouvindo aquilo o que era aleijado
Passou a mão no fundo e o tostão apanhou.
E o que estava nu tendo o tostão tomado
Mais que ligeiro no bolso guardou.

Bem, meu tio cantava essa música apenas uma vez a cada visita nossa, ou seja, umas duas vezes por ano e quando ele estava de bom humor. Eu vivia pedindo para ele cantar para mim porque eu adorava a musiquinha e era doida para aprender. Então eu cresci e ele parou de cantar para mim e eu não consegui aprender a música inteira, apenas esse pequeno pedaço aí em cima.

E a nova geração de sobrinhos (no caso meus primos mais novos) não conhecem a música e quando ele cantou uma vez não se interessaram muito.

É a new generation...

Não sei se eu que cresci muito rápido ou eles é que não sabem aproveitar uma boa história.

sábado, 18 de outubro de 2008

Uma conversa para um bom entendimento

Antes de ir fotografar em um evento hoje, estava fazendo hora na praça São Sebastião, sentada na fonte, fotografando o palhaço que carregava algodão-doce quando apareceu um homem com um turbante e junto com eles havia dois garotos. O maior tinha cabelos escuros e bem curtos, o outro, que parecia ser mais novo, era mais claro, os cabelos loiros e também possuía um turbante que o escondia quase todo.
O pai e o menor pareciam ser de outro lugar, talvez algum desses países do Oriente ou descendentes de tal. Ele, o pai, tinha a voz grossa e carregava um brinquedo de fazer bolhas de sabão que pertencia a um dos filhos.

Os dois garotos tinham, cada um, um barco inflável. Subiram correndo as escadas da fonte pensando que ali havia água. Não havia. Mas tal detalhe não foi suficiente para impedi-los de brincar. Apenas imaginaram a água e começaram a correr um atrás do outro imitando o som de barcos.

O pai sentou e ficou vigiando a brincadeira dos dois. Percebia-se que o menor era mais agitado que o outro, falava mais alto enquanto o outro sempre mantinha a voz calma. Começou então a querer brincar de um modo mais violento, batendo os barquinhos um no outro. O mais velho não gostou e reclamou para o pai que virou para o outro e pediu que parasse.

Como ele não gostara da repreenda do pai, largou o barco e passou a brincar com o outro brinquedo, o das bolinhas de sabão. Brincou até acabar e reclamou quando acabou. Logo esqueceu e chamou o irmão para voltar a brincar com os barcos, correndo.
Eu fiquei ali apenas olhando aqueles três. Então o pai virou para mim e falou: eles são irmãos, mas de mães diferentes. Acabaram de se conhecer.
Eu apenas balancei a cabeça.

Logo o mais novo se afastou pois o outro começou a reclamar da brincadeira. Como ele estava longe, o pai chegou perto e se abaixando falou: ele é mais novo, você não pode bater nele e ele nunca teve um irmão para brincar com ele.

“Mas ele gosta de brincar muito rápido”, ele reclamava.
“Eu sei mas você pode ensinar a ele a brincar devagar”.
“Mas ele ganha presente também?”, perguntou curioso.
“Ganha”, o pai respondeu.
“Mas ele ganha muito?”
“Não, só quando ele merece”, respondeu o pai.
O filho ainda tentou argumentar mas o pai, sem levantar a voz, apenas disse:
“Vocês são irmãos. Têm que aprender a conviver um com o outro”.

Ele chamou o outro filho para irem embora. Eu aproveitei e guardei a máquina, chamei minha irmã para irmos também. Estava tranqüila porque ele era um bom pai. Qualquer outro teria se exaltado mas ele teve a lucidez de explicar ao filho o certo e o errado. Lembrei que minha mãe nos criou assim, a mim e minha irmã. Somos irmãs, as coisas iriam ser diferentes a partir do momento em que ela nasceu.

E eu sabia disso desde quando soube de sua existência. A gente diverge, a gente bagunça, brinca, conversa ou não conversa, reclama. Mas somos irmãs e seremos sempre, não importa o que aconteça.

domingo, 12 de outubro de 2008

12 anos sem Legião


Eu tinha exatamente 12 anos quando Renato Russo morreu, no dia 11 de outubro de 96. Nessa época eu já conhecia Legião Urbana, graças aos meus primos adolescentes. Lembro direitinho a primeira música deles que aprendi: Faroeste Caboclo.

Admirava-me a idéia de alguém escrever uma história em forma de música, sem falar o desafio de decorar uma letra tão grande. Foi só o começo para aprender as outras. Minha vizinha adorava e eu passava horas na casa dela escutando Índios, Eduardo e Mônica, Sete cidades, Angra dos Reis, Tempo perdido e tantas outras que recheavam nossas tardes de domingo deitadas no chão gelado do quarto com o rádio expelindo poesia por suas caixas.

Lembro que fiquei triste quando ele morreu. Sabia que, mesmo na minha cabeça de menina de 12 anos que não sabia nada ainda, o mundo havia ficado mais triste, mais pobre de música, menos interessante. Não importava o porquê de sua morte, ele havia ido embora e não voltaria nunca mais.

Viva Legião que influenciou e ainda influencia a tantos e viva Renato que dizia o que queria sem medo nenhum e lutava por isso.

Deixo aqui a música Sete Cidades, uma das que mais gosto entre tantas outras.

Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui
Meu espírito se perde, voa longe

Um sábado diferente

Fui ao aeroclube ontem para fotografar uma festinha que foi preparada para as crianças do Lar Batista Janell Doyle. Brincadeiras, entrega de presentes para cada uma, lanche e um show de pára-quedismo.

Até aí tudo bem. Sempre achei que eu fosse forte para situações como essa. Ledo engano. Vi que até eu não me conheço.

As crianças eram maravilhosas. Claro que tinha as travessas, as calminhas, as introspectivas, as cuidadosas que tomavam conta de outras crianças. E eu ali, no meio delas, brincando, tirando foto. Até pulei na piscina de bolinhas, ajudei a andar de perna-de-pau, a fiz sentar para comer.

Mas, em meio a tudo isso, mantinha a minha mente ocupada com qualquer outra coisa que não fosse a condição daquelas crianças. Ali elas estavam felizes, afinal era uma festa para elas, mas no fundo, sabia que, se elas tivessem o poder de escolher não escolheriam estar ali.

Cada vez que esse pensamento me vinha a mente tentava pensar em outra coisa. Afastava-me, conversava, ia fotografar. Até que chegou a hora da entrega dos presentes. Comecei a ficar nervosa. Se alguma chorasse eu choraria junto.

No entanto, algo mais forte que o choro delas aconteceu: o agradecimento. Todas enfileiradas, os maiores atrás, os menores na frente e começaram a cantar uma musiquinha de agradecimento. Todas juntas. Comecei a ficar nervosa e logo as lágrimas me vieram aos olhos. Continuei resistindo, segurando.

E então elas deram as mãos e eu me levantei, me atraquei na Aline (amiga do trabalho com quem fui junto) e chorei. Chorei até não poder mais.

Chorei por saber que elas estavam ali pedindo silenciosamente para que alguém as levasse junto e lhe desse amor e carinho, chorei porque sei que nunca chegarei perto do sofrimento delas, que nunca poderei me colocar em seu lugar, pois tenho uma mãe sempre ao meu lado, chorei pelos menores que não entendem muito o porquê de estarem ali a procura de alguém, mas que sentem, e os maiores que tanto entendem o porquê de estarem ali quanto sentem duplamente a dor da rejeição pois sabem que ninguém nunca os escolherá por estarem crescidos.

Chorei porque às vezes reclamo da vida sendo que tenho tudo e eles sorriem por receberem o mínimo.

Saí dali com o coração apertado, a dor dentro do peito, mas com o sorriso de cada um na memória.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Meu mundo em quadrinhos (parte 1 de várias)


Toca Don’t Panic do Coldplay enquanto escrevo. Estou sentada na cama com o note no colo. Olho ao meu redor e suspiro pensando no trabalho que terei para arrumar a bagunça que fiz, mas creio que valerá a pena. A bagunça que menciono são todas as minhas revistas em quadrinhos que tenho e que resolvi contar um pouco a história delas, não de cada uma, pois não terminaria o texto nunca, mas de como elas entraram em minha vida a passos lentos.

(Agora é The Shins que faz a vez no som)

Não me lembro quando comecei a ler quadrinhos, no entanto, conta minha mãe (e elas servem muito bem para lembrar essas histórias) que quando andava na rua comigo comprava um gibizinho da turma da Mônica para eu ficar quieta. Segundo ela, mesmo sem que eu soubesse ler, criava as histórias conforme via os desenhos. E foi então que meu amor por quadrinhos começou.

Fui crescendo e continuei a ler as revistas da turminha. Ganhava cinco por mês, uma de cada personagem, e demorava horas para ler pois sabia que se acabasse logo não teria outra até o mês seguinte. Um tempo depois comecei a ganhar, junto com as da turminha, as revistas do Tio Patinhas, do Zé Carioca e do Mickey. Confesso que não gostava de todas, mas as lia e relia quando não havia mais nenhuma outra para satisfazer meu desejo. Já era chato ser criança, sem poder comprar o que se gosta então...

Aos oito anos descobri uma relíquia que foi quase queimada. Um belo dia na casa de minha avó, remexendo nos armários velhos que toda casa de vó tem, encontrei uma caixa com algumas revistinhas. Nossa! Fiquei olhando-as durante um certo tempo por nunca ter visto nada daquele gênero antes. Eram revistinhas como: Contos da cripta, Drácula, Heróis da Tv (foi assim que conheci Thor e Capitão América) e aquele que me fez virar mais fã de HQ do que eu já era: Stan Lee e Steve Dikto apresentado ele, claro, o Homem-Aranha. (Podem dizer o que quiserem, para mim, herói de quadrinhos como ele não tem outro).

Tenho ainda bem guardada uma edição de 1968, minha maior relíquia. Daí para frente a doença só piorou. Não consegui ganhar essas novas revistas junto com as da Monica porque pai é pai e filha lendo essas “porcarias”, nem pensar. Então esperei e esperei e esperei. Até que meus 10 anos chegaram e aí a coisa começou a complicar. Guardava o dinheiro do lanche e comecei a aumentar minha pequena coleção. Um belo dia lançaram umas edições encardenadas, em preto e branco, contando toda a história do aracnídeo. Só sosseguei até conseguir os 12 volumes. Estão todos bem arrumados na minha estante.

Passei a comprar regularmente as HQs Spider Man e Amazing Stories, todos os meses até que um belo dia, chego na banca e descubro que resolveram mudar. A revista virou formato americano, mais cara, com desenho diferente e histórias diferentes também. Desisti. Não gostei daquela edição. Resolvi que não compraria mais revistinhas. Havia me decepcionado. Ainda bem que durou apenas até o momento em que descobri que existiam sebos e bancas de revenda de revistas que tinham ainda edições atrasadas das que eu comprava. Minha paixão voltou e minha meta era conseguir completar a coleção. (N.E. Já se passaram mais de 10 anos e ainda não consegui chegar lá).

Mas eu era focada apenas no Homem-Aranha. Não via outros personagens. Não conhecia outros roteiristas ou desenhistas. Talvez eu estivesse cega ou apenas ainda não era hora de conhecê-los. Os anos passaram e lia qualquer livro que caísse em minhas mãos junto com o homem-aranha e claro, turma da Monica.

E então Mafalda, Calvin, Snoopy e Garfield pularam das páginas de um livro...

(No próximo episódio: Como Quino, Bill Watterson, Schulz e Jim Davis podem mudar a vida de uma menina que não sabia muito de nada e um pouco de tudo.)

domingo, 14 de setembro de 2008

É que quando amo...

Não consigo amar pouquinho.
Eu amo aos baldes.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Saga: as coisas que amo (parte 1)


Eu AMO livrarias. Nossa! É um dos melhores lugares para se ir, principalmente quando se quer pensar um pouco (bom, pelo menos eu acho).

Gosto de passar horas em uma... eu me perco no tempo. Olho todos os livros que me interessam. Leio as orelhas. Se puder leio um pouco do que tem dentro também. O cheiro de uma livraria é inebriante, inesquecível. Cheiro de livro novo, de palavras novas, de histórias novas ou até antigas, mas novas aos olhos de quem nunca as leu.
Gosto de olhar livros bonitos que não tenho condições financeiras (dinheiro mesmo) para comprar e mesmo os que compro sabendo que aquela grana será necessária em algum momento. Gosto também de ver livros que sei que posso comprar, mas que nunca os compraria.

Mas não sei comprar livro apenas para mim. Não sei ver um livro que minha irmã gostaria, ter dinheiro para comprá-lo e não o levar. Ou para presentear uma amiga ou fazer uma surpresa para alguém que se gosta. Às vezes nem tenho um motivo específico para comprá-lo, apenas o compro e digo: eu vi e lembrei de você.

Livro não tem razão para ser levado para casa. Você o vê e o sente chamando bem baixinho, no ouvindo... leva-me, leva-me, leva-me.

Meus livros me escolhem, não canso de dizer. Foi assim com Lygia, Drummond, Machado, Josteen, Gaiman, Vinícius... Clarice ainda não foi muito com minha cara. Tentei forçá-la a me contar suas histórias, mas ela não gostou muito da idéia e se esconde de mim, foge... E eu apenas digo: tudo bem, eu espero.

Ler é um prazer inexplicável. É viajar em páginas de papel. É sorrir sozinho consigo mesmo ou chorar com cuidado para não molhar as páginas (rs). É se entregar sem medo. É ficar com raiva quando a história não é boa. É ter ciúmes de outras mãos em suas páginas (sendo que tem vezes que a história é tão boa que todos precisam ler). É chegar próximo à última página, querer saber o final e desacelerar a leitura, pois não se quer que acabe.

Adoro arrumar a estante e descobrir um livro esquecido, sentar no chão e, em vez de terminar a arrumação, reler ele inteirinho sentindo o mesmo sentimento de novidade ou descobrindo frases novas que não tinha percebido antes ou lendo melhor as entrelinhas. Ah, se não fosse as entrelinhas... não é?

É dizer: poxa, acabou! E completar com um “que história...”
(não percam o próximo episódio...rsrs...)

domingo, 7 de setembro de 2008

Devaneios drummonianos


Estou meio drummoniana hoje (acho que por conta do episódio do roubo de seus óculos)... o poeta das palavras belas e singelas que conheci quando criança ao folhear um livro de um dos meus primos adolescentes e li os versos “mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração”.

Eu já conhecia poesia, mas no meu pequeno entendimento não passavam de rimas. E Drummond me ensinou a pensar poesia, que métricas, rimas e composições funcionam, no entanto, se não houver a química com a palavra dita e o sentimento que está se querendo expressar, não tem sentido mostrar ao mundo apenas palavras belas.

Até hoje penso no caminho e na pedra... quem estava no caminho de quem? Ou é apenas uma pegadinha que resolveu deixar para que nós nos matássemos pensando no caminho na pedra e na pedra no caminho... vai saber? Nem ele sabia explicar...

Drummond é assim, sem explicação. Ele se explica com suas próprias palavras, em seus próprios poemas. Foi ele quem disse a Lygia (Fagundes Telles) para não ser escritora por profissão, mas que se fosse mesmo o que ela queria, então que fizesse com todo o amor e paixão que havia dentro de si.

Hoje senti saudades de Drummond e remexendo em meus livros encontrei uma edição antiga que comprei por cinco reais em um desses sebos que aportam na avenida Eduardo Ribeiro aos domingos. Uma edição de 1987 chamada Amar se aprende amando... e a pessoa que o comprou antes de mim talvez nem saiba que está em outras mãos (as minhas) pois dedicou a sua amada “com amor e carinho”.

Finalizo essa minha saudade com o pequeno poema “Amor”

O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e estilo.

sábado, 6 de setembro de 2008

Infortúnios do destino


Sabe aqueles dias em que você quer fazer várias coisas, mas não pode devido aos infortúnios do destino?
Pois bem, este sábado foi assim.
O celular mal tocou o que me deixa agoniada, apreensiva (tenho minhas razões). Sei que não deveria, mas sou assim, fazer o quê??
Então espero.
Assim, puxei o livro mais próximo e li por duas horas seguidas, coisa que não fazia a algum tempo, tentando manter a mente ocupada. Cansada, fiquei andando pela casa, meio sem rumo wondering what the hell to do.
Fui para a rede e me entreguei ao silêncio, algo que não gosto muito. A janela escancarada mostrava um céu claro e brilhante, daqueles de doer os olhos se você olhar muito tempo. Fiquei a observar meu quarto e percebi que os CDs empoeirados em cima do rádio lembravam-me que precisavam urgentemente de uma limpeza. Fui atrás de um pano úmido e comecei a limpar um, depois o outro e o outro, foi quando ela me chamou atenção.
Olhava constantemente para mim enquanto eu praticava o processo de limpeza.
Há tempos ela não falava comigo ou seria eu que deixara de falar com ela?
Já não lembro mais. Em algum momento dessa vida perdemos contato.
Nossa!!! Lembro que éramos inseparáveis, ela sempre querendo saber de mim e de minhas histórias.
Mas o tempo foi passando e a faculdade e os estágios não nos permitia mais passar tanto tempo juntas.
Foi assim que nos separamos, nos esquecemos até hoje quando olhei para o lado e a vi.
Bateu uma saudade...
A peguei devagar, com todo o cuidado como se estivesse com uma preciosidade nas mãos. Bem, para mim ela sempre fora uma preciosidade. Afaguei-a delicadamente relembrando cada curva sua. O suor escorrendo nas costas por conta do calor.
E então, a abri e ela se mostrou inteira para mim sorridente.
“Há quanto tempo...” pensei.
Ela ainda segurava a folha de papel em branco que deixei com ela desde a última vez que nos vimos.
Fui apertando pausadamente cada dedo seu, cada pedaço de seu corpo sentindo um prazer já esquecido, ouvindo seus gemidos tentando me acostumar à sua voz novamente.
“Desculpa ter me esquecido de você”, falei a ela.
E no silêncio que me encontrava voltei a contar-lhe histórias me perdendo no tempo, me esquecendo do destino e seus infortúnios, me libertei de mim mesma.
Já era quase noite quando nos separamos. Prometi que voltaria logo, que não sumiria mais.
Apaguei a luz e saí do quarto deixando em cima da mesa minha linda ‘máquina de escrever’.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O mundo aos meus pés

Los Hermanos chegou aos meus ouvidos essa semana de uma forma não muito comum: sendo cantarolada pequenas frases por pessoas que passavam por mim.
Fiquei saudosista ouvindo Los... um grupo que conheci assim meio que por acaso, claro que havia Ana Júlia que estourou nas rádios, mas essa não conta... falo das outras, as músicas, as belas, as boas de se ouvir...
O Vento foi então a primeira que me chamou a atenção, virou até perfil no Orkut, rsrsrs. Mas, como na época não tinha acesso a internet e nem grana pra comprar CDs, fui ficando com as que conhecia através de uma amiga de faculdade.
Até que descobri que uma outra amiga também gostava e tinha os CDs, para ver como o mundo é pequeno, e assim copiei todas as músicas possíveis e ficava horas ouvindo.
E então veio o primeiro Ecomusic e com eles como atração. Nossa, até briguei com meu pai para ir. Claro que a razão não era apenas vê-los em ação mas acabou sendo o melhor que aconteceu aquela noite. A outra razão perdeu-se no tempo e espaço da vida enquanto eu e mais algumas pessoas vibravam pertinho do palco com Amarante, Camelo e a Rosa tocando alto.
No ano seguinte eles vieram novamente para o Ecomusic e também os assisti sozinha, em frente ao palco, sem amigos, sem amores, apenas eu e outros amantes desconhecidos... foi a última vez que vi Los Hermanos.
Da amiga que gostava (e ainda gosta) de Los, a que copiei os CDs, me deu de presente o primeiro deles, justamente o da Ana Júlia.
Boas recordações de uma mente em devaneios...
E essa semana, ecoou em meus ouvidos uma música do Camelo que descobri por acaso, que quase ninguém conhece e que me traz as melhores lembranças de umas tardes de verão inesquecíveis.

Nada parece tão só quando estás aqui pra me dar seu amor
Quando estás aqui pra me dar seu desejo
Meu bem você traz o mundo aos meus pés, mundo aos meus pés

És a rosa que brilha no sol
És estrela de luz sobre o luar
És o amor de mais pura emoção
És verdade entre o céu e o mar
E o mar não há de ir

Embora pareça que estou apenas contando histórias de amor
Eu já não sabia mais como dizer que eu te quero tanto.
Brilhas como o sol

És a rosa que brilha no sol
És perfume de rosa na mão
És a cura mais forte pra dor
És certeza entre o sim e o não
E não amar você é
Loucura.

Amizade paralela

Nem lembro como a gente se conheceu, quer dizer, eu lembro como a gente se conheceu, foi no meu primeiro dia da faculdade, lembra? Mas quem diria que iríamos ser assim, amigas?
Ainda mais com ela reclamando por conta da idade.
Mas enfim, o tempo foi passando e por causa de e-mails sobre tudo e nada os nossos laços foram se estreitando e quando vimos, já conversávamos como se nos conhecêssemos há anos.
É, a vida é cheia de surpresas.
Lembra dos meus pais indo conversar contigo por conta das minhas faltas na facul???
Eu só faltei me enterrar... rsrsrs
Até que veio a proposta de estágio e meu pai indo lá com você saber porquê eu ia estagiar lá...é cada uma!!!
E dois anos depois, aí estamos, trabalhando juntas ainda.
Passamos por cada uma: domingos na casa do Wilson por causa da revista, ficar na gráfica até tarde pra esperar a prova pra ver se está tudo certo, pneu furado enquanto entregávamos convites para os jornais, um alarme que disparou durante o almoço e que deixou todo mundo louco, as caronas, presas dentro do elevador (se não fosse os meninos...), nossos dias de virginianas em crise...
Nunca conheci alguém tão apaixonada por Clarice como ela, e por jornalismo, e por design, e por publicidade, e por desenho e por outros milhões de coisas que ela gosta.
Foi essa paixão que me fez ser mais apaixonada ainda pelo que faço hoje.
(Terei que ser piegas e cair nos clichês da vida mas, nesse caso, não me importo nenhum pouco)
Obrigada por ser a amiga que você é.
Obrigada por ser a professora que você é.
Obrigada por ser apenas... você.
Feliz aniversário.

Just Starting

Manaus. Feriado. 5 de setembro...
São 15h13 e estou em frente a uma tela em branco imaginando no que escrever para iniciar esse blog que adiei há tempos...
Procurei em meus alfarrábios um texto que escrevi na época de escola para postar, um texto que descrevia o porquê de começar a escrever um diário que nunca consegui atualizar, que conseguiu apenas duas folhas de relato, uma sobre o começo do dito cujo e outra sobre a desistência de mantê-lo atualizado.
Logo passa o prazer da novidade e me distraio facilmente com o livro que sempre tenho ao lado.
Mas, a vontade de deixar uma pequena marca nesse mundo virtual bateu novamente e eis-me aqui tentando fazer algo legível.
O sol lá fora está radiante. Da janela vejo o abacateiro do vizinho (graças a ele tenho sombra na janela), o vento surge de vez em quando, mexendo em algumas folhas delicadamente como se estivesse com medo, passa direto, some, volta de vez em quando. Está silêncio. Minha gata Preta dorme embaixo da minha cadeira, os olhos entreabertos.
A cabeça fervilhando... o que dizer? O que escrever? Quadrinhos, livros, músicas, amores?
Por enquanto, no one of them...
Ficamos assim. Um oi para começo de conversa e bem-vindo ao meu mundo (que não é nada extraordinário, mas quem sabe um dia?).