E como já é o dia seguinte e meu humor está de volta, compartilho algumas tiras de natal da dupla mais famosa das tirinhas.
E um Feliz Natal a todos... daqui alguns dias já será ano que vem...




















Bem, onde moro é bem difícil se concentrar nos sábados e domingos, quanto mais tentar ter uma tarde tranqüila. Ao redor da minha casa, tem cada comédia...
Tudo começa no sábado de manhã cedo, sendo acordada por um som super-alto que vem de casa ao lado entrando pela janela do meu quarto. Bruno e Marrone ou qualquer outro cantor sertanejo assim, logo cedo, ninguém merece.
A gente levanta, agüenta, às vezes até solta um “tá um pouquinho alto esse som”, pra ver se alguém se toca e diminui um pouco, coisa que não demora tanto tempo assim... então a gente agüenta.
Antigamente, tinha o vizinho do lado direito que, por ser adventista, não gostava de música. O que era maravilhoso. Ele vendeu a casa e os novos vizinhos, que não são adventistas (uma pena) colocam mais alto ainda, suas músicas evangélicas. Nada contra as músicas evangélicas, mas acho que se deve haver uma certa noção de que os outros não precisam ser obrigados a ouvi-las. O mais engraçado é que meu pai tem uma criação de patos e galinhas no quintal de casa. E como todo galo, o nosso canta em certas horas do dia. Um belo dia, o tal do vizinho bateu à nossa porta para reclamar que o galo estava fazendo muito barulho e o estava incomodando. Não sei como acabou a história, mas sei que se ele reclamar novamente meu pai é capaz de comprar mais galos pra fazer barulho para ele.
Um pouco mais abaixo, outro vizinho transformou sua casa no “Recanto dos coroas”. É um bar um tanto quanto peculiar. É pequeno, com uma duas mesas de ferro, um rádio em cima de uma mesa e o mais legal de tudo: várias pilhas de discos. Toda noite ele coloca um ritmo diferente para tocar, do brega ao chique, de Raul Seixas à Madonna. Esse não chega a incomodar. Não lembro quando foi, mas um dia desses, ele resolveu fazer uma festinha e vários casais de coroas apareceram. Conversavam, bebiam e quando já passava de meia-noite estavam todos dançando agarradinhos ao som de música lenta.
Foi nesse mesmo bar que, uma certa noite, um dos meus vizinhos de frente de casa estava completamente bêbado e saiu correndo atrás de outro cara com um facão na mão. Ele gritava que ia matá-lo e tudo o mais. Foi preciso que uma multidão o segurasse, inclusive sua mulher. Passado o susto, ele sentou no chão e começou a chorar e cada um voltou a fazer o que estava fazendo.
No primeiro turno das eleições, acordei com o barulho da polícia gritando para um cara sair do carro e ficar com as mãos na cabeça, quase em frente à minha casa. Era um outro vizinho que estava meio, ou totalmente, bêbado e resolveu ficar fazendo giros de 360 graus na rua. A polícia que estava passando na hora, viu e, querendo mostrar serviço o mandou parar e sair do carro, com as mãos para cima e tudo o mais. A mulher dele apareceu correndo apenas de toalha e pedia por tudo que era mais sagrado que não fizessem nada com ele. Revistaram o carro, tiraram uma sacola com alguma coisa de lá de dentro que até hoje não descobri o que era. De repente, um dos candidatos a vereador apareceu e foi lá conversar com os policiais. Em cinco minutos o dito foi liberado numa boa e cada um foi para o seu quadrado.
Já a vizinha de frente de casa possui dois filhos que tem um grupo de pagode que até já foram premiados por cantarem música de outros pagodeiros. Pois esses filhos, que são extremamente violentos de bater não apenas na mãe, mas em suas mulheres e filhos, no domingo se juntam e passam o dia inteiro fazendo batucada pagodeira na beira da rua. É de enlouquecer qualquer cristão. E há um fato interessante: para fechar o domingo, a gente escuta uns gritos de uma mulher pela rua e como uma vizinha curiosa saí para ver, é a mãe dos ditos pagodeiros, aos berros com eles dizendo que vai mandá-los embora e tudo o mais. A polícia aparece, tudo se resolve e no domingo próximo lá estão eles novamente tocando as mesmas músicas.
Mas eu tive a idéia de falar sobre vizinhos porque hoje me aconteceu algo inédito. Estava tocando, mas não muito alto, umas músicas de forró escrachado daqueles que não se gosta nem de lembrar para não ficar na cabeça quando, de repente, escuto um: she’s got a ticket to ride. Cheguei a abrir a janela e ir ver se eu não estava escutando coisas. O meu vizinho do recanto dos coroas tinha colocado os garotos de Liverpool pra cantar um pouco.
O agradeci em pensamento.


Tenho um tio que, quando eu e meus primos ainda éramos criança, chegava com a gente e dizia: Vou cantar (isso mesmo, não é contar) para vocês uma música que conta a história dos mistérios da vida. Prestem atenção que só cantarei uma vez.
E começava:
Vinha no rio uma pedra boiando
Em cima da pedra três navegando.
Um era cego e nada enxergava
O outro era sem braço que o trem cortou
E o terceiro, era o mais esculachado
Pois estava nuzinho como Deus criou.
Foi então que o cego abriu o berreiro
Olhando pra água um tostão avistou
E ouvindo aquilo o que era aleijado
Passou a mão no fundo e o tostão apanhou.
E o que estava nu tendo o tostão tomado
Mais que ligeiro no bolso guardou.
Bem, meu tio cantava essa música apenas uma vez a cada visita nossa, ou seja, umas duas vezes por ano e quando ele estava de bom humor. Eu vivia pedindo para ele cantar para mim porque eu adorava a musiquinha e era doida para aprender. Então eu cresci e ele parou de cantar para mim e eu não consegui aprender a música inteira, apenas esse pequeno pedaço aí em cima.
E a nova geração de sobrinhos (no caso meus primos mais novos) não conhecem a música e quando ele cantou uma vez não se interessaram muito.
É a new generation...
Não sei se eu que cresci muito rápido ou eles é que não sabem aproveitar uma boa história.




